domingo, 13 de abril de 2014

A cruz crucial

A impiedosa tortura e morte lenta de alguém pendurado numa estaca era prática conhecida desde o século VI a.C. entre povos asiáticos. Os romanos a aprenderam e adotaram. Escravos rebeldes, traidores e ladrões eram punidos assim. Jesus Cristo é o mais conhecido dentre os que padeceram o suplício da cruz. Até hoje, em alguns lugares do mundo como Arábia Saudita, Irã, Birmânia e Sudão, crucificar alguém é, na melhor das hipóteses, uma possibilidade prevista em lei.
A Crucifixão (detalhe),
de Matthias Grünewald (século XVI)
A palavra crux, em latim, não se referia estritamente à cruz como a visualizamos hoje (dois toros transversais) e que se tornou o símbolo maior do cristianismo.


Crux immissa ou cruz latina
Havia tipos diferentes de cruz. Uma primeira diferença existia entre a crux simplex e a crux compacta. No primeiro caso, tratava-se de um objeto vertical de madeira, uma viga, ou mesmo um tronco de árvore. O condenado era amarrado com cordas nessa cruz, ou nela empalado.

Já a crux compacta podia ser decussata (em forma de X), commissa (em forma de T) ou immissa (a chamada "cruz latina", cuja travessa fica acima da metade da haste). Esta, a immissa, é a que conhecemos como sendo a cruz em que Jesus (cordeiro pascal) foi pregado.

Especula-se que a palavra latina crux (passando pela forma colux) veio do termo grego σκόλοψ (skólops), que significava "estaca", "enxadão", "cruz" e outros tipos de objetos que pudessem provocar uma dor pungente.

Um comentário:

Afonso Guedes disse...

A crucificação jamais era feita pregando-se no meio das mãos. O peso do corpo rasgaria os tendões que unem os dedos. O prego transfixava o punho entre os dos ossos do antebraço.