segunda-feira, 1 de novembro de 2010

De presidente para presidenta

Decisões políticas estão unidas a decisões linguísticas. Se a recém-eleita presidenta Dilma Rousseff quiser enfatizar que pela primeira vez uma mulher foi escolhida para esta função no Brasil, preferirá o substantivo feminino em lugar do artigo apenas, "a presidente".

A palavra remete ao latim praesidere, "estar em primeiro lugar", "governar", "administrar". Mais literalmente, significava sentar-se (sedere) diante (prae) de outras pessoas, para dirigir-lhes a palavra em situação de destaque e liderança.

A partir do século XVIII, em inglês (president) e em outros idiomas, assumiu o sentido de principal líder numa república.

3 comentários:

IDGPOL disse...

Fora o comentário referente ao inglês, está bem explicado. Deveremos dominar a língua inglesa apenas para usufruirmos seus conhecimentos, melhorar a nossa maneira e nos posicionarmos.

MÚSICAS disse...

Um pouco de cultura não atrapalha!!!

Tenho notado, assim como aqueles mais atentos também devem tê-lo feito, que durante a campanha eleitoral a candidata Dilma Roussef e seus sequazes, que pretendiam que ela viesse a ser a primeira PRESIDENTA do Brasil, tal como atesta toda a propaganda política veiculada pelo PT na mídia. Agora, após, ser eleita alguns ainda insistem em se referir a ela como primeira PRESIDENTA do Brasil

Presidenta???

Mas, afinal, que palavra é essa totalmente inexistente em nossa língua?
Bem, vejamos:

No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante...

Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.

Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte. Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz estudante, e não "estudanta"; se diz adolescente, e não "adolescenta"; se diz paciente, e não "pacienta".

Um bom exemplo seria:

"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizantas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta."

Gabriel Perissé disse...

Prezado, esse texto que você envia (sem autoria) apareceu pela primeira vez no site Levante-se Brasil, cujos organizadores mantêm essa comunidade no Orkut — http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=73197065.

Basta uma leitura atenta para percebermos que lhe falta precisão gramatical e fundamento linguístico. Permita-me aprofundar um pouco mais.

Com relação à formação do feminino dos substantivos, há diferentes caminhos, como ensina Maria Helena de Moura Neves em sua Gramática de usos do português (Editora Unesp, 2000, pp. 146-148).

A autora mostra que existe “parenta” para “parente”, “governanta” para “governante” e “presidenta” para “presidente”. São casos em que há variação, ao contrário de “amante”, “doente”, “inocente”, “ouvinte” etc.

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, em sua mais recente edição (2009), registra “presidenta” como substantivo feminino. Pode consultar aqui — http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23

De fato, há até pouco não existia “presidenta”, nem “bispa”, nem “oficiala”, como não existia “hóspeda”, feminino de “hóspede”. Os dicionários acolhem essas formas, por estranhas que pareçam, e a gramática normativa as aceita.

E esta aceitação se deve a um dado da realidade. À medida que as mulheres passam a exercer atividades antes restritas ao mundo masculino, é natural que o idioma se adapte.

Prof. Sérgio Nogueira escreveu sobre o assunto, salientando que o problema não se restringe a buscar o certo ou o errado, mas passa por uma questão de preferência. Transcrevo um trecho:

“A forma PRESIDENTA segue a tendência natural de criarmos a forma feminina com o uso da desinência ‘a’: menino e menina, árbitro e árbitra, brasileiro e brasileira, elefante e elefanta, pintor e pintora, espanhol e espanhola, português e portuguesa. [...] No Brasil, é fácil constatar a preferência pela forma comum aos dois gêneros: a parente, a chefe e a presidente. [...] É possível, porém, que a nossa Dilma prefira ser chamada de PRESIDENTA seguindo nossa vizinha Cristina, que gosta de ser chamada na Argentina de LA PRESIDENTA.”

O texto completo de Sérgio Nogueira está em — http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=83286